Descrição do produto e Instruções

Instruções para a administração de EchiTAb-Plus-ICP para o tratamento de envenenamentos por picadas de cobra na África Subsariana

 

African Snake Antivenom
Polyspecific antivenom against Echis Ocellatus, Bitis Arietans and Naja Nigricollis

Descrição do produto: EchiTAb-Plus-ICP é uma preparação composta de imunoglobulinas de cavalo e é indicado para o tratamento da envenenamentos pela sub-Saara Africanos serpentes da família Viperidae (gêneros Echis e Bitis) e de cobra cuspideira da família Elapidae (Naja sp). Não é eficaz para o tratamento de envenenamentos por venenos neurotóxicos de elapid como os da neurotóxicas cobras (Naja sp) e mambas (Dendroaspis sp), bem como pela escavadores víboras (Atractaspis sp).  Cada 10 mililitros de soro neutralizar 30 mg de veneno de Echis ocellatus, 20 mg de veneno de Bitis arietans e 2 mg de veneno de Naja nigricollis. Também é eficaz na neutralização de venenos de Echis pyramidum leakeyi, Echis leucogaster, Bitis gabonica, Bitis rhinoceros, Bitis nasicornis, Naja mossambica e Naja pallida. ICP-EchiTAb-Plus é fabricado em preparaçõe líquidas. Deve ser armazenado a 2-8 ° C. O prazo de validade é de 3 anos. Antes da administração, o produto deve ser inspecionado visualmente; em caso de turvação, ele não deve ser usado.

 

Tratamento de picada de cobra envenenamentos com EchiTAB-Plus-ICP

 

Tratamento em instalações de cuidados de saúde

 

(1)  Soro deve ser administrado apenas a pacientes que apresentam manifestações locais sistêmicas ou graves de envenenamento. Envenenamentos por espécie de viperídeo do género Echis caracterizam-se por necrose e edema local e por manifestações sistêmicas como hemorragia, coagulopatia e distúrbios cardiovasculares. Envenenamentos por espécie de viperídeo do género Bitis caracterizam-se por necrose e edema local e por manifestações sistêmicas como hemorragia e distúrbios cardiovasculares. Por sua vez, o envenenamentos pelo cobra cuspideira (Naja sp) caracterizam-se por danos nos tecidos locais proeminentes, necrose subcutânea ou seja, sem sangramento e coagulopatia. Muitas picadas de cobra não estão associadas com envenenamentos e, portanto, o soro deve ser administrado somente quando são observados sinais objectivos de envenenamento. A dose inicial de soro EchiTAb-Plus-ICP deve ser 4 frascos de 10 mL. Esta dose deve ser usado tanto em adultos e crianças.

(2)  Testes para possível hipersensibilidade ao soro (por testes intradérmicos ou conjuntivais) não deve ser realizada, pois têm um valor preditivo muito pobre, porque a maioria das primeiras reacções adversas nesses casos não é verdadeiras reações anafiláticas (mediada por IgE), mas em vez disso anafilactóides de novo que não dependem de IgE. Nos casos de pessoas que tenham recebido previamente anti-soros cavalo-derivado, tais como a antitoxina de tétano de origem equina, recomenda-se a tratamento prévio com adrenalina intramuscular antes da administração do soro.

(3)  Administração de soro deve ser realizada por via intravenosa (i.v.) por pessoal qualificado. Pode ser administrado por bólus de i.v., a uma taxa de cerca de 5 mL por minuto ou diluído em solução isotónica salina e infundido em 60 minutos.

(4)  Quando o soro é administrado diluído em solução salina, uma rota de i.v. deve ser canulada e a dose completa do soro a ser aplicada tem que ser diluído em solução salina de 500 mL (em adultos) ou solução salina de 200 mL (em crianças, para evitar sobrecarga de líquidos). Soro é então infundido, inicialmente em um baixo fluxo para observar possíveis reações adversas precoce que se desenvolvem dentro o primeiro 20 min de infusão. (Veja abaixo)

(5)  Se não há reações adversas início ocorrem em 20 min, o fluxo de antiveneno infusão deve ser incrementado para administrar a dose inteira em 60 min. Se existem evidências de reações adversas precoce (urticária, prurido, broncoespasmo, hipotensão arterial, angioedema), antiveneno infusão deve ser suspensa e o paciente deve receber uma combinação de adrenalina (epinefrina) 0,1% (1: 1000) por via intramuscular, na dose de 0,5-1,0 mL para adultos ou 0,01 mg/kg para crianças. Além disso, deve ser realizada a administração i.v. de um anti-histamínico (maleato de clorfeniramina ou prometazina) e esteróides. Uma vez que a reação adversa foi controlada, a infusão antivenom tem de ser reiniciado.

(6)  Se o tratamento antiveneno é bem sucedido, as principais manifestações de envenenamento devem ser interrompidas nas primeiras horas de tratamento. No caso de envenenamentos por viperids, sangramento deve parar dentro de 3 horas do início da infusão antiveneno e distúrbios de coagulação (ou seja, 20 min sangue tempo de coagulação) deve ser corrigida dentro de 12 horas. Se sangramento ou coagulopatia persistir após estes períodos de tempo, uma dose adicional de 4 frascos de 10 mL deve ser administrado i.v., conforme descrito acima. Da mesma forma, em caso de ‘recorrência’ de envenenamento, ou seja, quando sinais e sintomas de envenenamento reaparecer após o controle inicial de envenenamento por tratamento antiveneno, uma dose adicional de 4 frascos de 10 mL devem ser administrados.

(7)  Reações finais a administração de antiveneno (doença do soro) podem ocorrer 5-20 dias após o tratamento. Caracterizam-se por prurido, urticária, febre, artralgia e proteinúria. Pacientes devem ser informados sobre esta possibilidade. Esta reação é tratada com anti-histamínicos e esteróides (por exemplo, prednisolona).

(8)  Quando a administração i.v. de soro não é possível, ele pode ser injetado por via intramuscular (i.m.), embora isso seja menos eficaz, como a absorção de anticorpos antiveneno é lenta e a biodisponibilidade é limitada. Nesses casos, a administração de soro deve ser realizada por injeção intramuscular profunda em vários locais nos aspectos anteriores e laterais das coxas, seguido de massagem para facilitar a absorção. Tratamento de qualquer reação adversa precoce deve ser realizado conforme descrito acima.

 

Tratamento auxiliar 

(1)  Profilaxia do tétano: administração de rotina de toxóide tetânico deve ser realizada em pacientes picados por serpentes.

(2)  Infecção da ferida: infecção pode ocorrer em pacientes de serpente mordido devido a presença de uma rica flora microbiana em veneno, juntamente com a ocorrência de necrose local, o que facilita a infecção. Em caso de necrose tecidual local ou evidências sugerindo infecção (como quente avermelhada inchaço local), devem ser administrados antibióticos. Uma combinação de penicilina (ou clindamicina) e um antibiótico de amplo espectro (como um aminoglicosídeo) deve ser considerado.

(3)  Cuidados com o membro mordido e desbridamento do tecido necrótico: região da mordida deve ser limpa com anti-sépticos. Tecido necrótico deve ser desbridado para evitar uma infecção e necrose. Da mesma forma, abcessos devem ser drenados e pus cultivadas para identificação de bactérias e seleção do antibiótico mais apropriado.

(4)  Descompressão cirúrgica: O desenvolvimento de síndrome compartimental deve ser diagnosticado pela medição da pressão intracompartimental. Quando as pressões são mais de 45 mm Hg, descompressão cirúrgica, ou seja, fasciotomia, deve ser considerada. É necessário assegurar que uma síndrome compartimental é realmente desenvolvendo antes de tomar a decisão de realizar fasciotomia.

(5)  Tratamento da hipotensão e choque: A intervenção chave para travar a distúrbios cardiovasculares é a administração de soro. Se pacientes tiveram perda extensa de sangue, a administração de um expansor de plasma é necessária. Quando parâmetros hematológicos são afetados, a transfusão deve ser considerada.

(6)  Tratamento de alterações renais: insuficiência renal aguda pode ocorrer em envenenamentos por viperídeo cobras. Assim, a monitorização do volume urinário, juntamente com a análise laboratorial dos níveis séricos de creatinina e sedimento urinário, deve ser realizada.  Se o volume urinário diminui abaixo de 400 mL em 24 horas, o paciente deve receber uma terapia de fluido (fluido isotônico), com monitorização da pressão venosa central para evitar a sobrecarga de fluidos. O Furosemide e dopamina devem ser considerados para restaurar a função renal. Em casos onde não há resposta é obtida, a possibilidade de diálise deve ser considerada.

(7)  Tratamento da oftalmia induzida pelo veneno: cobra cuspideira (como Naja nigricollis e espécies afins) pode ejetar veneno diretamente nos olhos, causando conjuntivite, erosão da córnea, seguido de infecção, uveíte anterior e cegueira permanente. O tratamento inclui, inicialmente, a irrigação com água abundante. Lesão da córnea deve ser tratada com antibióticos apropriados.

Recomendações detalhadas sobre diagnóstico, prevenção e gestão de envenenamentos de picada de cobra na África Subsariana estão incluídas no documento diretrizes para a prevenção e gestão de clínicas de Picada de Serpente na África (disponível em www.who.afro.int), elaborados pela Organização Mundial de Saúde.